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02/11/09

Portadores Melânicos

"As diversas cores que compőem a nomenclatura oficial COM săo fruto na sua grande maioria, de mutações que foram criadas e selecionadas pelo homem nos últimos 500 anos.

Todas elas tiveram origem a partir do canário silvestre, que era o que nós chamamos hoje de verde nevado.

Esse pássaro era um especialista em sobreviver e multiplicar-se no ambiente selvagem.

A sua cor e seus hábitos eram os mais apropriados para a sobrevivência naquele tipo de ambiente.

À medida que este pássaro foi sendo criado em cativeiro, começaram a aparecer espontaneamente, as mutações que chamaram a atenção do homem e que passou então a seleciona-las.

Essas mutações que nada tinham a ver com a capacidade de sobrevivência, foram deixando nossos canários de cor cada vez mais distantes daquele canário verde original.

Com isso, foram surgindo as diversas linhas de cor da nomenclatura (que são mutações).

As principais são: pastel, opala, phaeos, satine, asas cinzas e, mais recentemente topázio e eumo.

A finalidade do presente artigo é analisar a importância do uso dos portadores no trabalho de seleção e melhoria de algumas dessas linhas.

Em relação à linha escura e falando-se genericamente, portadores são pássaros que pertencem a uma das quatro cores clássicas básicas e em cujo património genético existem genes que podem produzir na descendência alguma das mutações referidas acima.

As quatro cores clássicas básicas que são os negro marrons oxidados (verdes, azuis e cobres), os canelas, os ágatas e os isabeis, são os canários dentro dos melânicos que estão mais próximos, geneticamente, do canário verde original.

Por estarem mais próximos do verde original, possuem também no património genético características que os tornam mais aptos à sobrevivência, o que resulta numa maior produtividade.

Isso pode ser comprovado na prática e a maioria dos criadores sabe que as cores clássicas, normalmente “criam melhor” do que as suas respectivas mutações.

Assim, o uso de portadores na obtenção de algumas linhas ( pastel, opalas, phaeos, satines, etc ) justifica-se pela obtenção de juvenis de melhor qualidade e saúde.

Colocando-se isso à parte e tratando-se exclusivamente da qualidade melânica, qual a importância dos portadores nesse processo?

Qual a relação entre as melaninas que se vê nos portadores e as que se deseja nos puros?

Para entendermos melhor esse processo, poderemos dividir as mutações ou linha de cor em dois grandes grupos:

um grupo em que a presença de feomelanina é desejável e outro grupo (maior) em que essa presença é indesejável.

No primeiro grupo, temos os phaeos (todos) e os canelas pastéis.

No segundo grupo, temos todas as outras cores ( opalas, satines, etc., inclusive os outros pastéis, ágatas, isabeis e negro marrons oxidados).

I Grupo

No primeiro grupo, a relação entre as melaninas dos portadores e a dos puros correspondentes é mais direta.

Se tivermos portadores com boa carga de feomelanina, teremos puros também com boa carga dela.

Nesse caso estamos a tratar apenas de herança feomelânica, mas sabemos que os padrões de excelência são ditados também por outras características, como eumelanina dispersa e distribuição feomelânica.

Tanto no caso dos phaeos como dos canelas pastéis, o uso dos portadores pode auxiliar-nos no manejo da distribuição feomelânica.

Portadores “apastelados” dão melhores canelas pastéis, mas podem produzir phaeos com desenho deficiente.

Ao contrário, portadores mais eumelânicos podem resultar em canelas pastéis marcados, o que é indesejável, mas podem produzir phaeos com melhor desenho.

II Grupo

No segundo grupo, a complexidade é maior.

Nem sempre a eumelanina presente nos portadores terá uma relação direta com a que se deseja dos puros.

Existem inúmeras ocorrências na prática que comprovam isso.

Começando pelos satines, que podemos obter a partir tanto dos isabeis como dos canelas.

Alguns criadores acreditam que se pode obter satines “mais marcados” a partir dos canelas, coisa que não se comprova na prática.

A eumelanina “acetinada” năo possui uma relação direta com a eumelanina dos canelas, uma vez que podemos obter isabeis, que possuem eumelanina marrom fortemente reduzida (chamamos de Diluída) em relação aos canelas.

Uma linhagem de excelentes satines poderá ser obtida tanto de isabeis como de canelas, desde que a seleção dos exemplares seja feita em cima dos satines, colocando-se um pouco de lado a melanina dos portadores.

Por outro lado, acredita-se que o acasalamento entre dois satines trará como consequência um enfraquecimento do desenho, coisa que também não corresponde à realidade.

O acasalamento entre dois satines não traz qualquer efeito negativo à qualidade melânica dos pássaros, pelo contrario, é mais fácil selecionar os exemplares vendo a melanina que se quer.

Com relação à criação dos filhotes, o cenário muda e aí sim, é desejável o uso dos portadores (canelas ou isabeis) de uma linhagem que reconhecidamente produza bons satines.

Nesse caso e em outros veremos que também é assim.

É importante que se tenha uma linhagem de portadores que produza bons exemplares com as características do padrão que se quer obter.

Em relação aos opalas, a situação não é diferente, notadamente nos canelas opalas, em que canelas clássicos bastante oxidados e com pouca feomelanina, nem sempre produzem os melhores canelas opalinos.

Mais uma vez é importante obter-se uma linhagem de portadores que tenham a capacidade de transmitir aquelas melaninas que se deseja.

Pela minha experiência os melhores canelas opalas são obtidos a partir de portadores que possuam boas qualidades das duas melaninas (Eu e Phaeo).

Quanto aos ágatas, isabeis e opalas, é obrigatório que os portadores tenham o mínimo possível de feomelanina.

Em ambos os casos, o acasalamento entre dois pássaros puros não traz qualquer prejuízo em relação à melaninas dos filhotes.

Sabemos que a mutação opala inibe a manifestação de feomelanina.

Entretanto, essa inibição não ocorre em sua plenitude e sabemos também que pássaros com muita feomelanina dão origem a opalas com a manifestação melânica do dorso mais opaca e menos nítida.

Isso se deve à feomelanina residual que, afetada pelo fator opala.

Dá-nos essa impressão de menor nitidez do desenho.

Nesses casos, o uso de portadores é muito importante, pois é mais fácil observar neles a presença dessa feomelanina indesejável, ou seja, é mais fácil “limpar” ágatas e isabeis e opalas opalinos, usando-se portadores “limpos”.

Novamente o acasalamento de dois puros não prejudica a qualidade melânica dos filhotes.

Năo existe nada na teoria ou na prática que contrarie isso.

No caso dos verdes opalas, o prejuízo do acasalamento entre dois puros, quando ocorre, é apenas em relação à plumagem.

No caso dos pastéis negro marrons oxidados, ágatas e isabeis, bons exemplares clássicos (dentro dos padrões de concurso) normalmente produzem os melhores exemplares.

Novamente o uso de dois puros não prejudica a herança melânica.

Os mesmos princípios valem também para os topázios e eumos.

Concluindo, podemos dizer sobre o uso dos portadores na linha escura o seguinte:

1)O uso de portadores normalmente resulta em numa descendência mais saudável e numerosa;

2)O uso de portadores pode auxiliar na seleção melânica de uma linhagem de puros;

O acasalamento entre dois pássaros puros não produz qualquer efeito negativo em relação à qualidade das melaninas dos filhotes."

Revista SOVM/2000
Por João Silva

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